Antes do mapa
Venho reescrevendo este mapa desde o Orkut. As primeiras versões se perderam com a plataforma que as guardava, e não tenho como recuperá-las: ficaram a lembrança de tê-las escrito e o hábito de voltar a elas. É um trabalho de vinte anos do qual sobrou o meio do caminho.
A versão de 2022, que é a que recuperei na íntegra, tem dez nomes, do fim dos anos 1970 ao começo dos 1990. Era uma lista, sem categorias declaradas, e tinha uma divisão que eu não havia nomeado: quatro artistas e cinco tecnólogos, lado a lado, como se a diferença entre imaginar e construir não precisasse ser dita.
Esta segunda versão nomeia a divisão e acrescenta um terceiro eixo, porque a cibercultura de hoje não se explica só por quem a fez e por quem a sonhou. Desde os anos 1990 existe uma figura que lê o sistema em vez de construí-lo: teoria, crítica, medição, denúncia. Sem esse eixo, o mapa termina em 2017 sem conseguir dizer o que aconteceu depois.
O recorte em quatro eras é editorial e defensável. A era das plataformas abre com o iPhone, não com a fundação das redes sociais, porque foi o bolso que mudou a escala. E a era da máquina que fala abre com o artigo do transformer, em 2017, e não com o ChatGPT, em 2022: datar pelo produto é datar pela chegada ao mercado, e este mapa data pela ideia. É o mesmo critério que situa Engelbart pelo oN-Line System, e não pela venda do mouse.
Um mapa não é um cânone. É um recorte assumido, com um autor, uma data e um critério visível. Os três estão declarados aqui para que se possa discordar deles com precisão.